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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A virtude da espada

Fonte: Aikido Journal #119 (2000)
por James Williams
Traduzido por Jaqueline Sá Freire (Hikari Dojo – RJ)



O treinamento em várias artes militares, aparentemente antiquadas, está se tornando cada vez mais comum em nossa sociedade do século 21. Porque buscar estas artes que requerem tanto esforço, disciplina, e em muitas vezes, trazem dor? Porque buscamos nos testar em lutas e treinar para o combate? O que nos trouxe para essas artes, e o que esperamos conseguir destes treinamentos?

Sempre me perguntam por que eu pratico e ensino técnicas clássicas de guerra, e porque aderi a uma filosofia que parece ultrapassada para muitas pessoas. A espada definiu o guerreiro por milhares de anos. Ela definiu o poder, a ética, o dever e a auto defesa de uma classe de pessoas que formou a face da civilização neste planeta. A habilidade, o exercício, o desenvolvimento mental e o simples prazer que acompanham o uso da espada são únicos. O combate com armas cortantes é a forma mais exigente de combate físico. Não apenas exige grande habilidade, tanto física quanto mental, é uma arte que desenvolve no adepto habilidades que o separam dos demais e aumenta a intuição, os reflexos e a técnica ao mais alto grau. Para o guerreiro, a espada representa seu dever, sua honra e sua responsabilidade.

Esta não é, em sua maioria, uma sociedade que valoriza o guerreiro por suas virtudes. Nossa sociedade se esqueceu dos sacrifícios e lutas dos que a antecederam, e desfrutamos dos frutos desses esforços e sacrifícios; é uma sociedade que exigirá de seus militares, mas não honrará ou cuidará de seus homens. É uma sociedade em que a virtude é frequentemente olhada com estranheza, em que caráter não é algo desejado daqueles que querem nos liderar. É uma sociedade que desfruta de enorme abundância mas que nega a seus militares a munição necessária para o treinamento para proteger a própria riqueza. Porque um significante número de cidadãos busca treinamento e abraça virtudes que parecem antiquadas? Talvez não tenhamos todos esquecido que há menos de 60 anos o mundo inteiro se envolveu em uma luta para determinar se é possível a existência de uma nação livre. A maioria de nós conhece alguém que participou desta batalha, e por cujos esforços temos o direito à escolha e à abundância que parecem não serem levados em conta por muitas pessoas.

“Vitória a qualquer preço, vitória apesar do terror, vitória sem se importar o quanto é longa e árdua a jornada; pois sem vitória não há sobrevivência”Winston Churchill

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Morre o homem, fica a fama


Por: Gustavo N. Santos (Aikidô ITN Brasil - Academia CLAM, Goiânia)

Revisão: Thiago Brandão (Instrutor Aikidô ITN Brasil - Academia CLAM, Goiânia)
Supervisão: J.F. Santos (Instrutor Chefe  Aikidô ITN Brasil)


Às vezes fico pensando, que adjetivo dirão após mencionarem meu nome? Será que dirão mentiroso, ladrão, vagabundo ou dedicado, trabalhador, responsável, honesto...?

Acho esta uma reflexão muito válida e sei que ela é muito presente no código de vida de um cavalheiro (guerreiro ou bushi).

A visão oriental é de fora para dentro, o que os outros vêem. O que é completamente diferente da nossa visão ocidental, o que eu vejo. Desta forma, o correto é pensar o que pensam de mim, o que eu apresento, e não o que eu penso de mim ou vejo para os outros.
           
Veja, existe uma consideração muito séria aí, pois quando quero passar uma imagem para os outros que não seja verdadeira, não consigo sustentá-la por muito tempo já que é algo externo e logo sairá. Assim como uma personagem, uma carapuça ou máscara. Tentar sustentar uma farsa pode ser muito cansativo e penoso.

O correto é que haja uma transformação interior para que seja duradouro e verdadeiro.

“Até a criança se dá a conhecer pelas suas ações, se a sua conduta é pura e reta”.

Não são as palavras, ou vídeos, ou escritos que mostrarão nossa conduta, mas sim nosso dia-a-dia e nossos exemplos.

Na idéia samuraica devemos estar sempre atentos que a morte está na próxima esquina. As falhas devem ser corrigidas instantaneamente, pois pode não haver tempo para corrigir depois.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Um coração em busca da felicidade!


Texto encaminhado pelo Professor Gustavo Nogueira (Faixa Preta 3º Dan, Academia CLAM - Goiânia)

Por Hidemaru Degutxi

A verdadeira felicidade consiste no amor recíproco, na amizade, no agradecimento. Todo ser vivente, sente necessidade de uma companhia, e aquele que pisa sozinho a tortuosa estrada da vida, não há dúvida, sente-se solitário.


Alguém disse : "Não há nada mais satisfatório que trabalhar para quem amamos ou para quem quer ser por nós amado".

Creio não haver nada mais acertado. E diz ainda a mesma voz: "Não há nada mais desesperador, mais triste do que o estado de alma daquele que vive solitário, sem alguém que sinceramente se alegre com sua vitória, daquele que não tem a quem alegrar." 

"Quem poderia compreender uma pessoa como eu, uma pessoa de vida vazia, sem objetivos?". Eu posso bem compreender esse coração humano.

As pessoas em geral, são de um caráter egoísta, quase irremediável. Quando doentes, redizem constantemente: "Não há nada pior que a doença, logo que sarar, me aplicarei sem, lástimas a qualquer trabalho. Não há nada, melhor que a saúde".

sexta-feira, 22 de abril de 2011

“Aos quinze anos resolvi aprender”


Texto Enviado por Thiago Tauhata, faixa preta Academia CLAM, Goiânia


Dando continuidade ao texto "Aikido e Educação", serão colocados periodicamente no blog excertos do livro de Anne Cheng, "História do Pensamento Chinês". Livro de história intelectual recomendado a todos que queiram conhecer melhor a filosofia oriental do extremo oriente e que não considerem, como afirmaram Heidegger ou Hegel, que a "filosofia fala grego".

Não desenvolvendo uma arte de criar conceitos, a filosofia chinesa expressa uma tendência ao sincretismo. Não procede, assim, tanto de maneira linear ou dialética, mas em espiral. As contradições não são, portanto, percebidas como irredutíveis, são antes alternativas, oposições complementares. Para além de uma contradição estática, há alternância entre os opostos em um equilíbrio dinâmico, passando do indiferenciado ao diferenciado, do Yin ao Yang.

Desta maneira, o pensamento chinês não opera por um conjunto de definições que delimita um objetivo. Descreve, sim, círculos ao redor deste. Melhor dizendo, espirais, que vão aos poucos estreitando os círculos e aprofundando a análise. No caso, "aprofundar significa deixar descer cada vez mais fundo dentro de si, em sua existência, o sentido de uma lição, de um ensinamento, de uma experiência pessoal. Servem menos para raciocinar e mais para serem frequentados, praticados e, finalmente, vividos." Não é a busca por um prazer puramente intelectual, não o raciocinar sempre melhor, mas o viver sempre melhor sua natureza de homem em harmonia com o mundo."

Começaremos por Confúcio, filósofo que inaugura um novo modo de reflexão que influenciará o pensamento oriental por mais de 2.500 anos. Desejo então a todos, uma boa leitura, uma boa reflexão, uma boa prática, uma boa vivência.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

AIKIDO E EDUCAÇÃO

Por Tiago Tauhata
Psicólogo, Faixa Preta 1º de Aikido, Academia CLAM - Goiânia
17/02/2011




Confúcio
Nada do que vem aqui expresso é original. Feita esta ressalva, podemos continuar. Continuar até mesmo com mais tranqüilidade, ou melhor, naturalidade e humor. Afinal, sou brasileiro e sorrio facilmente e é também um preceito oriental que, nas palavras de Naoshige, “assuntos de grande importância não devem ser levados tão a sério” e “assuntos de pequena importância devem ser tratados com seriedade”. Há espaço nas discussões xintoístas sobre o riso e já houve ao menos um teólogo cristão a dizer que “o riso é o início da oração”. Nisto me situo já entre os humanos, pois são duas características distintivas de nossa espécie: o pensamento abstrato e o senso de humor. 


Preciso, todavia, explicar-me melhor. Como Confúcio, digo apenas que não trago nada de novo. Apenas repito, repasso, transmito um conhecimento milenar – milenar no meu caso, no de Confúcio seria apenas secular. A escolha do adjetivo ‘milenar’ é isenta de maior valorização do que aquela que é dada pelo próprio tempo; outros poderão preferir arcaica, retrógrada, antiquada ou simplesmente “fora de moda”, de acordo com os critérios que melhor convier ao seu relativismo moral.



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

AIKIDO – Política e Harmonia

PorTiago Vieira de Oliveira Borges
Shodan do ITN- Instituto Teruo Nakatani - Goiânia

Nestes aproximados 11 anos de prática desta bela e difícil arte marcial, me chamou a atenção um aspecto que sempre é tratado à “boca pequena”, em cochichos pelos corredores e em trocas de e-mails “secretos”, qual seja: a política.

Antes de entrar nos pormenores, peço licença para fazer um breve apanhado conceitual deste já famigerado termo. Numa breve incursão no Wikipedia temos que: “O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana”. Além disso não poderíamos deixar de citar a célebre frase de Aristóteles: “ O Homem é um animal político”.

 Deixando de lado o conceito pejorativo da política, e observando-a por um prisma diferenciado, temos que a política é a arte de convivência entre as pessoas em determinado ambiente, tentando conjungar diversos aspectos morais, psicológicos e de modo de vida. Poderia também ser dito que inclui um indíviduo ou coletividade tentando fazer valer suas vontades em detrimento de outrem sem, no entanto, gerar um conflito que extravasasse o campo das ideias.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Aikidô - Algumas formas de ensino e de treino



Por: Gustavo N. Santos (Instituto Teruo Nakatani - ITN Brasil)
Dentro da filosofia de ensino do Instituto Teruo Nakatani - ITN Brasil, buscamos a formação de pessoas melhores para a construção de uma sociedade melhor. Assim, valores e conceitos são transmitidos, respeitando o indivíduo como centro do processo de ensino.
Repudiamos o ensino como adestramento, um ensino voltado exclusivamente para a transmissão da forma de uma técnica. O que torna um aikidoka vazio...
O Aikidoka é , antes de tudo, um guerreiro da paz. Paz consigo e paz com o mundo.

"Devemos, não só ensinar, mas, principalmente, formar." J.F.Santos (Instrutor Chefe do Instituto Teruo Nakatani - ITN Brasil)

sexta-feira, 5 de março de 2010

A busca incessante

Prefácio do livro O espirito do Aikido de Kishomaru Ueshiba.


Tradução de J.F.Santos- Instrutor chefe do Instituto Teruo Nakatani - ITN Brasil



Através dos séculos, as religiões têm pregado o amor e a compaixão, e as filosofias têm ensinado a reverenciar a vida. Porém defrontamo-nos hoje com uma situação crescente de violência que parece estar além de qualquer controle humano. O mundo está repleto de divisões irreconciliáveis entre amigo e inimigo, bem e mal, opressor e oprimido. A violência é usada para dominar, destruir e eliminar o adversário. Quando, então, esses objetivos são realizados, procura-se um outro oponente. Quando cessará o ciclo de violência? Como superar as divisões que separam as pessoas? Onde está o poder de curar as chagas da dor e sofrimento? Não é de admirar que encontremos na história japonesa uma tradição das artes de luta (bugei), originalmente causadora de dano e morte no campo de batalha, transformada no Caminho das Artes Marciais (budô), dedicado ao aperfeiçoamento do ser humano pela integração de mente, corpo e espírito. Iniciando-se nos promórdios do século XVIII, o Caminho da Espada transformou a espada que causa a morte na espada que protege a vida. Este Caminho está em harmonia com o Caminho da Cerimônia do Chá, o caminho da Poesia, o Caminho da Caligrafia, o Caminho de Buda e inúmeros outros Caminhos que em suas formas puras têm nutrido espiritualmente o povo japonês.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Porque treinar espada ajuda no Aikido?


APLICANDO O PRINCÍPIO DA ARTE DA ESPADA NO AIKIDO E NA VIDA!
do livro O espirito do Aikido by Kishomaru Ueshiba -
Tradução: J.F.Santos (instrutor Chefe do Instituto Teruo Nakatani - ITN Brasil).


Mas as similaridades são obscurecidas pelas diferenças. No aikidô, por exemplo, não há equivalentes de agarrar a manga ou colarinho do oponente como se vê no judô. Por não haver luta corpo-a-corpo direta nem competição, o aikidô não tem técnicas ofensivas. Também não tem o mesmo tipo de técnicas de chão, por meio das quais o oponente é imobilizado através de chaves ou preensão de pescoço.

O Caminho do aiki e o Caminho da espada estão intimamente conectados nos seus princípios, movimentos e métodos básicos. Superficialmente, os dois parecem ser radicalmente diferentes, porque o aikidô é uma arte marcial de mãos vazias, enquanto que a arte de manejar a espada faz uso de uma arma. Mas uma vez penetrada a superfície, muitos pontos em comum serão notados. (A referência aqui é ao kenjutsu, a arte de manejar a espada combativamente, mais do que ao kendô, que é um esporte moderno. A similaridade com o aikidô se encontra não tanto no kendô, mas no seu predecessor.) Uma suposição comum é a de que o aikidô está mais intimamente relacionado ao judô que a arte de manejar a espada. Isso é compreensível porque ambas são formas de arte marcial de mãos vazias, e se uma pessoa conhecer mesmo que só um pouco a respeito da experiência do Fundador, ela ficará consciente do papel de formação desempenhado pelo jiu-jitsu no desenvolvimento do aikidô. O Fundador treinou o jiu-jitsu na escola Dai-to, incorporou alguns de seus métodos ao aikidô e algumas técnicas tais como preensão de pulso, golpes, arremessos e imobilizações foram modelados em conformidade com o jiu-jitsu clássico ou com a sua forma moderna, o judô.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Minha jornada diaria, meu dojo




Nichijo, Kore Dojo! – traduzido por J.F.Santos- Aizen Brasilia

O dia-a-dia é o melhor dojo! O dojo, o “Lugar do Caminho” (o lugar para estudar o Zen) é onde praticamos as nossas artes marciais. É o lugar onde treinamos intensivamente, aprendemos e ajudamos aos outros.

É onde travamos batalhas com o nosso ego e onde conseguimos as nossas maiores vitórias.

É o lugar onde buscamos a excelência.

É o lugar sem espaço para o nosso ego, nossos preconceitos, nossos desejos.

É o lugar onde procuramos descobrir o nosso eu verdadeiro.

É um lugar de amor e respeito mútuos.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Olhar tira pedaço, sim!!!


MITORI GEIKO

Aprender olhando, assistindo!!!
Para razões diversas, quando não se pode treinar no dojo, é bom assistir às aulas e observar.
É o que os sensei japoneses chamam de MITORI GEIKO.
Nós, brasileiros, chamamos de aluno ouvinte!!
Pessoalmente, pratico muito essa maneira, seja por vídeos, seja in situ, nos seminários.
É um modo de aperfeiçoamento técnico que me parece indispensável no caminho da espada.
MITORI GEIKO, pode ser traduzido por "praticar com o olhar", “vendo, como é”, “aprendendo com a visão” ; os mestres japoneses explicam com humor (eu suponho) é como "roubar a técnica com os olhos".