por Stanley Pranin
Aikido Journal #118 (Fall/Winter 1999)
Traduzido por William Soares
Editor Stanley Pranin: Quando você começou a olhar para o aikido com olhar no seu futuro como herdeiro da tradição?
Doshu: Foi apenas quando eu me tornei um estudante universitário que eu comecei a buscar isso com consistência verdadeira. Eu tinha que ir para escola, então, eu só podia praticar algumas horas por dia, na parte da manhã ou de tarde, dependendo do meu programa de aulas. Acho que eu só praticava em média umas duas horas por dia. Durante as férias da primavera eu praticava uma hora extra, por exemplo praticando uma hora de manhã e duas horas na parte da noite, ou vice e versa. Mesmo depois de me graduar o ritmo continuou o mesmo até quando eu tinha aproximadamente trinta anos. Em torno de 1979 meu pai se adoentou por um período e a partir daquele momento em diante as obrigações com o ensino começaram a mudar o meu caminho gradualmente.
Você diria que o seu pai Kisshomaru teve a maior influência sobre você?
Ele costumava ensinar todos os dias de manhã e às sextas-feiras na parte da noite, então eu estava sempre nessas aulas. Eu participava de aulas com outros professores também, mas eu havia vivido toda a minha vida sob o mesmo teto de meu pai, então sem dúvida, o treino que eu tinha com ele era o que mais me influenciou.
Havia alguma coisa em particular que o seu pai enfatizasse ao falar como você a respeito da história do aikido?
Ele não falava muito a respeito desse tipo de coisa comigo. A maior parte daquilo que eu o ouvi falar sobre isso eu escutei depois de começar a treinar de forma mais regular com ele e quando eu o acompanhava a seminários, palestras e demonstrações. Ele nunca se sentou comigo enquanto estávamos em casa e disse, “Moriteru, isso é assim…” ou “Moriteru, essas são as coisas que eu quero que você saiba…”
Em todo o caso, desde o tempo em que eu nasci eu vivi junto com meu avô, o fundador do aikido, e meu pai o Doshu anterior, então eu tenho certeza de que eu fui influenciado por ambos de diferentes formas, mesmo se eles nunca falassem comigo especificamente sobre tais coisas. Eu nasci e fui criado em um ambiente de aikido, em todos os aspectos, técnicos e outros.
Que tipo de treino o seu pai lhe transmitiu especificamente?
Eu treinava com todo mundo, então nunca houve uma vez que ele me chamasse à parte para transmitir apenas para mim um treino especial. Ele sempre chamava a minha atenção para me dar alguns conselhos quando eu estava fora do tatame, por exemplo, para sempre executar minhas técnicas de modo limpo e cuidadosamente, para manter os meus quadris baixos, e para executar os meus movimentos de modo amplo. Mas em termos de como executar um nikyo ou sankyo ou qualquer outra técnica, eu tenho visto e experimentado essas técnicas desde que eu era pequeno e já as entendia, então eu nunca recebi nenhuma instrução particularmente detalhada a respeito delas. A maioria do que me foi ensinado tem a ver com os pontos maiores que eu acabei de mencionar.
Outra coisa que eu tenho que dizer é que, embora meu pai fosse também meu professor, quando nós íamos para casa à noite a nossa relação era apenas como qualquer outro pai e filho (risos).
Isso também inclui o tipo de estágio “rebelde” pelo qual muitos adolescentes passam em um ponto ou outro?
Bem, não, de fato eu nunca tive esse tipo de embate com meu pai, mas aparentemente eu fui algo aterrorizante na escola elementar (risos). Eu costumava me meter em todo o tipo de problema, e a minha mãe estava sempre sendo chamada para lidar com algo que eu tinha feito. Então eu acho que qualquer que fossem as necessidades de rebeldia que eu tenha tido, elas foram canalizadas para fora ao invés de ir de encontro ao meu pai.











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